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Som Como um Elemento Divino - Part II

Nesta série de dois artigos, convidamos os leitores a explorar as dimensões mais profundas do som, para além da sua compreensão convencional. Juntos, descobriremos como o som está profundamente entrelaçado com todos os aspetos da vida — desde as suas origens e criação até aos princípios que regem a sua existência, movimento e mecânica. Ao longo desta viagem, a série examina o som não apenas como algo que ouvimos, mas como uma força poderosa que molda a perceção, a comunicação, a natureza, a tecnologia e a própria experiência humana.

 



O Mistério do Som

Excertos de Hazrat Inayat Khan, The Mysticism of Sound and Music, 1996


 “Aquele que conhece o mistério do som conhece o mistério de todo o universo

Hazrat Inayat Khan

 

 

O som é a atividade percetível de toda a vida. Sons diferentes diferem na sua expressão exterior, mas no seu interior reside uma mesma atividade que dirige todos os sons. É na expressão que os sons diferem, devido aos diferentes instrumentos pelos quais são expressos. Quanto mais penetramos no mistério do som, mais somos capazes de rastrear o elo que liga todos os sons. Este elo é aquilo a que o músico chama harmonia, e é na harmonia que se esconde o segredo da alegria e da paz.


Tal como um som é dirigido por outro, todo o movimento é provocado por outro movimento. Por isso, nenhuma atividade pode ocorrer sem uma atividade diretora, e esta atividade que tudo dirige é chamada Deus. O livre-arbítrio permanece, pois cada som, na sua manifestação exterior, esconde em si a sua atividade diretora, de tal modo que por detrás daquilo a que o homem chama livre-arbítrio está oculta a vontade de Deus.


Como o som assume diferentes manifestações através de diferentes instrumentos, um som auxilia outro, harmoniza-se com outro, e um som difere de outro, ou encobre-o. Tudo isto é causado pelos instrumentos, pela sua resposta ao poder director interno e pela sua relação entre si.


Este simbolismo explica todos os diferentes aspetos da vida e mostra que o bem e o mal, o prazer e a dor, o certo e o errado, tudo provém de uma única fonte.

 

Toda a atividade tem duas etapas: ação e resultado. A ação manifesta-se na audibilidade e resulta na visibilidade. A Bíblia afirma que primeiro houve a palavra e depois veio a luz. O Alcorão diz que primeiro foi proferida a palavra e depois tudo se manifestou. Isto observa-se em toda a atividade que desce do invisível para o visível. Do mundo do som surgiu o mundo das formas. É por isso que os hindus chamam a Nada Brahma, o Deus do Som, o Criador.


Uma vez que todas as coisas são feitas pelo poder do som, da vibração, tudo é feito por uma porção dele, e o homem pode criar o seu mundo pelo mesmo poder. Entre todos os aspetos do conhecimento, o conhecimento do som é supremo, pois todos os aspetos do conhecimento dependem do conhecimento da forma, exceto o do som, que está para além de toda a forma. Através do conhecimento do som, o homem obtém o conhecimento da criação, e o domínio desse conhecimento ajuda-o a ascender ao informe. Este conhecimento atua como asas para o homem; ajuda-o a ascender da terra ao céu, e ele pode penetrar na vida visível e invisível.


Sendo toda a manifestação o fenómeno do som, o conhecimento do som actua como um guia no labirinto dos nomes e das formas. Esta é a razão da grande importância atribuída pelos yogis ao mantra yoga, que para os sufis é dhikr (Zikar). Não há nada que o homem não possa realizar pelo poder do dhikr, desde que saiba qual o dhikr, como utilizá-lo e com que finalidade.


Assim como existe poder criativo no som, também existe poder destrutivo.


Quanto mais se trilha o caminho da exploração dos mistérios da vida, mais a vida se revela. A vida começa a expressar os seus segredos, a sua natureza. O que se exige ao homem é uma observância honesta das leis da vida, e nada neste mundo é mais importante do que o conhecimento da natureza humana e o estudo da vida humana. Esse estudo reside no estudo de si mesmo. E é o estudo de si mesmo que é, na verdade, o estudo de Deus.



A Musica das Esferas


 “Vénus desenha um pentagrama à volta da Terra a cada oito anos. A Lua quadra o círculo. Tudo nos céus se move à volta de tudo, dançando ao ritmo da Música das Esferas.

John Martineau, A Little Book Of Coincidence


Cada corpo celeste possui o seu próprio som. O Sol, a Terra, Júpiter, até os buracos negros emitem som. Cada sentimento, pessoa, animal, árvore, planta contém uma melodia, uma canção, um arranjo perfeito de vibrações aparentemente caóticas, e toda esta existência dança ao ritmo e à melodia de uma harmonia universal, conhecida como "onda estacionária universal".


Embora este conceito tenha sido documentado na Grécia Antiga, o princípio inerente à "música das esferas" já tinha sido compreendido milhares de anos antes pelas civilizações antigas.


A beleza da compreensão e a importância de conhecer o significado mitológico da "música das esferas" permitem-nos ter uma visão mais abrangente de toda a existência. Refere-se à lei da música que opera em todo o universo, e que, por outras palavras, pode ser chamada a lei da vida: a lei que está oculta por detrás de todos os aspetos da vida e que determina o destino de todo o universo. Este mundo inteiro é um fenómeno; não é preciso procurar noutro lugar. O paraíso está à nossa volta e dentro de nós; basta abrirmos os canais e conectarmo-nos com esta harmonia de vibrações.


Esta harmonia universal entre toda a existência é o que chamamos "a música das esferas", e é por isso que a música é considerada uma arte sagrada. "...Pois na música o vidente pode ver a imagem de todo o universo..." Todas as esferas do cosmos obedecem a uma lei e, ao mesmo tempo, fazem parte dessa lei.

 

Para fundamentar este conceito numa perspetiva científica, vários cientistas e matemáticos tentaram comprová-lo com números. Pitágoras (c. 570 a.C. – 495 a.C.) teve uma visão sobre a natureza universal do som: o som é algo mais do que uma mera qualidade da matéria em movimento.


Como a matéria produz som quando em movimento, Pitágoras acreditava que os planetas em órbita também deveriam produzir som. Num diagrama geocêntrico, Pitágoras criou oito degraus desde a Terra até ao "céu mais alto" (summum caelum). Entre a Terra e a Lua, existe um tom inteiro; entre a Lua e Mercúrio, um semitom; e entre Vénus e o Sol, um tom e meio. Mediu a distância com base na velocidade relativa: os planetas que se moviam mais rapidamente estavam mais próximos da Terra, e os planetas que se moviam mais lentamente, mais afastados. Estas proporções correspondiam aos intervalos musicais tonais da escala pitagórica.


Como referido, acreditava-se que os planetas, sendo objetos em movimento, deveriam produzir som e, devido às distâncias entre eles, como vimos no módulo I, deveriam produzir uma harmonia: a “música das esferas”. “Há geometria no zumbido das cordas, há música no espaçamento das esferas.” Os pitagóricos acreditavam que esta relação conferia à música poderes curativos, pois podia harmonizar o corpo em desequilíbrio. Explicavam ainda que o som e a harmonia dos planetas eram aparentemente inaudíveis na Terra porque esta emitia sons continuamente e os humanos não tinham um ponto de comparação.

 

Em 1619, Kepler, tal como Pitágoras, tentou explicar as proporções dos aspetos astronómicos e astrológicos do universo em termos musicais. Mas Kepler adotou uma abordagem diferente. Em vez disso, considerou a velocidade dos planetas nos pontos de distância máxima e mínima, onde sabia, através de observações, que se moviam mais lentamente e mais rapidamente, respetivamente, em relação ao Sol. Kepler percebeu que as proporções entre as velocidades angulares extremas dos planetas eram todas intervalos harmónicos e tentou calcular com precisão estas "harmonias mundiais": Mercúrio gira em torno do seu eixo exatamente três vezes a cada duas revoluções em torno do Sol (relação 2:3, equivalente a uma quinta justa). Visto do Sol, num referencial que gira com o movimento orbital, Mercúrio parece girar apenas uma vez a cada dois anos mercurianos – uma proporção 2:1, equivalente a uma oitava. Existe também uma geometria inerente entre Mercúrio e Vénus, o primeiro e o segundo planetas a contar do Sol. Se os três pontos do "nascer do sol" de Mercúrio acima mencionados forem traçados num círculo, formarão um triângulo equilátero. Se forem desenhados círculos em torno dos pontos centrais, suficientemente grandes para que as circunferências uns dos outros se toquem, a órbita de Vénus envolverá exactamente os três círculos. As conjunções de Júpiter e Saturno formam um triângulo equilátero de vinte em vinte anos. As oposições, da mesma forma, formam outro triângulo equilátero, de modo que se forma uma estrela de seis pontas ao longo de um período de cerca de 120 anos. As órbitas de todos os planetas têm relações geométricas surpreendentes numa sincronia primorosa da mecânica celeste.

 

“THá muito que se suspeita que os planetas escondem relações secretas. Na Antiguidade, os estudiosos destes assuntos ponderavam sobre a Música das Esferas, os corpos celestes cantando as suas harmonias subtis e perfeitas para os adeptos.

John Martineau In A Little Book Of Coincidence

 

Martineau questiona se tudo isto não passa de uma coincidência. Caso contrário, o que devemos pensar destas harmonias requintadas e proporções geométricas?


Se as relações geométricas e as ressonâncias dos planetas criam, ou resultam em, vibrações ou frequências, um astrólogo com conhecimento das harmonias planetárias poderia identificar o que está "desafinado" ou desequilibrado num mapa astral. A arte milenar da cura musical poderia então ser utilizada para harmonizar as vibrações. Quais seriam as implicações disto para a harmonização das energias de um indivíduo ou mesmo da própria Terra?


De facto, estas últimas questões lançam luz sobre o espectro que a ciência não consegue explicar. Rudolf Steiner vê-o como "o reino das harmonias espiritualmente ressonantes das esferas". É aqui que permanecemos durante o sono e no período entre a morte e o renascimento. Rudolf Steiner via estas distâncias e proporções harmónicas como um mundo de ressonância musical puramente espiritual, que o ouvido sensorial não consegue perceber. Para Steiner, este é o reino onde os arquétipos encontram os tons primordiais para empreender a criação. Este reino está em constante movimento e incessante atividade criadora, manifestada no mundo físico e na alma. Cada arquétipo tem o potencial de assumir inúmeras formas.

 

Para alguém que desenvolveu um "ouvido espiritual", esta "música das esferas" não é meramente metafórica ou alegórica, mas uma realidade espiritual com a qual se tem plena familiaridade. Para perceber esta música espiritual, as noções de música física precisam de ser postas de lado; esta é uma música de natureza diferente. O que vemos como resultado da luz é também som, musical, por natureza.


Quando o tom espiritual ressoou pela primeira vez pelo cosmos, ordenou e organizou os planetas com uma relação harmónica específica entre eles. O que vemos agora espalhado pelos céus recebeu a sua forma por este tom criativo e divino. Este tom continuou a propagar-se pelo espaço cósmico, a matéria foi ordenada e moldada para formar o sistema solar. Esta é a "Harmonia das Esferas".


Esta música das esferas ainda está presente hoje, embora a consciência comum não a perceba. Ela é real e existe, e aproxima-se de nós de fora como ação astral. Acontece que as pessoas simplesmente não a ouvem. Quando contemplamos o Sol, vemos estes poderes concentrados e, à noite, durante o sono, a alma habita estes sons das esferas, que são despertados para a consciência à medida que o corpo astral se torna novamente consciente. De manhã, podemos discernir um eco deste mundo.


O tom cria formas e figuras na matéria, como se observa nas placas de Chladni, onde grãos de areia são colocados sobre uma placa de metal que é depois percutida com um arco de violino. A vibração faz com que os grãos de areia formem padrões geométricos regulares. Através da música que flui do espaço cósmico, surgiram as mais variadas formas e figuras; e as formas que se dissolveram no fluido responderam a esta música cósmica e foram moldadas e ordenadas de acordo com ela. Esta dança das substâncias ao ritmo da música cósmica deu origem, principalmente, à proteína, ao protoplasma, como fundamento de toda a vida. As substâncias vivas são padronizadas de acordo com esta música cósmica.



O Som e a Matéria  

Cimática


A cimática demonstra, em particular, como as vibrações sonoras precisas podem estruturar a matéria sob qualquer forma e, por extensão, como a vibração está por detrás da criação do próprio mundo físico.


A cimática refere-se ao estudo da vibração sobre a matéria. Permite a representação visual do som em diferentes frequências, provocando vários padrões geométricos que se alteram ao longo da gama de frequências.


Este estudo dos efeitos das ondas sonoras sobre a matéria não é um tema novo, tendo sido inicialmente explorado por Robert Hooke em 1680, quando observou o fenómeno através de experiências com farinha. Posteriormente, Ernst Chladni, físico e músico alemão, foi pioneiro no estudo dos efeitos visíveis do som sobre a matéria. A sua técnica consistia em passar um arco sobre uma placa de metal com a superfície ligeiramente coberta de areia. A vibração ressonante da placa organizava a areia num padrão que revelava as regiões nodais. Os resultados ficaram conhecidos como Figuras de Chladni.


Dois séculos mais tarde, Hans Jenny, um médico, artista e investigador suíço, tal como Chladni, demonstrou o que acontece quando materiais como areia, esporos, limalha de ferro, água e substâncias viscosas são colocados sobre placas e membranas metálicas vibratórias. Aparecem formas e padrões, variando de quase perfeitamente ordenados e estáticos a outros turbulentos, orgânicos e em constante movimento. Jenny chamou a esta nova área de investigação Cimática, do grego kyma (‘κῦμα’) (Cima), que significa onda – todos os sons são produzidos por vibrações que provocam a propagação das ondas em todas as direções. O mistério da ‘matéria sólida’ parece estar contido no som e na vibração.


Trata-se de um vídeo gravado na década de 1960, conduzido pelo Dr. Peter Guy Manners[[1]] com o trabalho do Dr. Hans Jenny. Quando me deparei com este vídeo, fiquei impressionado; os padrões que vemos nestas experiências são os mesmos padrões que vemos na natureza: insetos, animais, plantas. Foi esta a razão que me levou a pesquisar os efeitos do som no nosso corpo físico, e a mesma razão pela qual a cimática se tornou uma referência fundamental para todos os tipos de Medicina Vibracional e Ciência Vibracional modernas. Demonstra empiricamente — de uma forma visual e imediata — o poder da vibração para criar e transformar estruturas físicas.

 

A vibração é a base de toda a matéria do universo. Nenhuma matéria pode existir sem vibração..”

Dr. Hans Jenny


Parece ser comum, entre aqueles que estudam o som na sua essência, afirmar abertamente que existe uma relação evidente entre o som e a criação do universo. Muitos acreditam na importância da cimática num sentido religioso: "Dizem que a alma, ao ouvir o cântico da criação, entrou no corpo, mas, na realidade, a própria alma era o cântico". Possui um significado religioso significativo em diversas religiões do mundo. Durante as minhas experiências com a ayahuasca, houve uma em particular na qual pude experienciar o efeito visual que a música tocada tinha nas minhas visões. Cada acorde, cada som, cada melodia guiava e esculpia aquela exibição de cores e padrões geométricos como se de um ser vivo se tratasse.


Muitos afirmam que a cimática tem propriedades curativas e pode ser utilizada para alinhar a energia interna. A cimática, quando praticada através da música e de instrumentos musicais, apresenta um fenómeno peculiar. Alguns afirmam que as melodias ou músicas, tocadas e produzidas em determinadas frequências, podem ter um efeito significativo no bem-estar e na saúde de um indivíduo, para além de alterarem as suas emoções.



Comparing a turtle’s shell with cymatics effect
Comparing a turtle’s shell with cymatics effect

Outros Estudos Sobre o Efeito do Som na Matéria


  • Cristais de Água de Masaru Emoto            


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         Masaru Emoto foi um empresário, escritor e pseudo-cientista japonês que afirmava que a consciência humana podia afetar a estrutura molecular da água. Os seus primeiros trabalhos giravam em torno de hipóteses pseudocientíficas de que a água poderia reagir a pensamentos e palavras positivas e que a água poluída poderia ser purificada através de orações e visualizações positivas.


As suas experiências com cristais de gelo consistiam em expor a água em copos a diversas palavras, imagens ou música, congelá-la e examinar as propriedades estéticas dos cristais de gelo com microscopia. Afirmava que a água exposta a palavras e pensamentos positivos criava cristais de gelo visualmente "agradáveis", e que as intenções negativas produziam formações de gelo "feias".


Embora o trabalho de Emoto não tenha satisfeito alguns cientistas, é amplamente aclamado em todo o mundo e representa mais uma forma de demonstrar a ligação intrínseca entre o som e a matéria.


  • Universalidade do arquétipo da esfera-vorticosa


 

Este princípio demonstra como a forma tem origem através da dinâmica do movimento espiral-esfera. Revela as forças universais envolvidas na "construção" e "desconstrução" da matéria. Este princípio espiral-esfera é, fundamentalmente, uma complementaridade dinâmica cuja simbiose indissociável permite que a totalidade das formas naturais nasça, desapareça e renasça.


Os diversos ritmos que se desenrolam para criar a forma são, na realidade, instâncias da mesma onda estacionária originada por uma vibração universal.


Gabriel Kelemen criou uma série de desenhos baseados nesta relação entre os padrões sonoros vibracionais e as estruturas naturais.


O princípio segue a relação indissolúvel entre esfera-vórtice como princípio morfodinâmico gerador, partindo da escala macrocósmica até à microcósmica, passando pelo mesocosmo (nível do cosmos percetível pelo ser humano). À escala da biosfera terrestre, podemos observar as metamorfoses da conjunção esfera-vórtice, desde o mundo mineral ao mundo vegetal-animal-humano.


Conceito geral de Gabriel Kelemen:


A visualização do som é um dos sonhos ancestrais da humanidade. A imagem do efémero sonoro tem sido um tema de interesse científico até aos dias de hoje. Quase tudo no universo está em estado vibratório. Esclarecer a hierarquia, a origem e a co-substancialidade da forma com o algoritmo da linguagem natural, enxertado em sinergias fenomenológicas, situa inextricavelmente a forma como resultado da interferência de ondas estacionárias em conjunto com inferências induzidas pela linguagem simbólica.


Assim, o universo reduz-se a expressar a ordem através da esfera, tijolo genuíno do constructo aberto, incomensurável e infinito, que habita a geometria das esferas com adjacências morfodinâmicas, discóides ou espirais. Este minimalismo geométrico permite a existência, na ínfima finura da superfície da biosfera, de toda a diversidade morfológica, sujeita a uma construção e desconstrução permanentes.


A influência dos campos de ondas acústicas nos líquidos revela surpreendentes padrões morfodinâmicos em resposta ao fluido atravessado pelo trem de ondas sonoras, que induzem e mantêm as ondas estacionárias, moldando imperceptivelmente o líquido cuidadosamente seleccionado.


As metamorfoses da matéria líquida, percorridas por energia vibrante, revelam, sob a forma de padrões dinâmicos, a simetria gerada por sobreposições interferenciais de vértices e nós de ondas estacionárias, estabilizadas periodicamente na massa fluida. Assim, na confluência das interações som-recipiente-líquido, é visualizado o som resultante.


Em conclusão, esta série em duas partes revela que o som é muito mais do que um fenómeno sensorial — é uma força fundamental que influencia o próprio ritmo da vida. Ao explorar as suas origens, comportamento e princípios subjacentes, obtemos uma compreensão mais profunda de como o som molda o mundo à nossa volta e dentro de nós. Desde as vibrações que governam a natureza até às tecnologias que ligam a humanidade, o som existe na intersecção da ciência, da emoção, da comunicação e da experiência. Em última análise, compreender o som no seu sentido mais amplo permite-nos reconhecer o seu papel profundo não só no que ouvimos, mas também na forma como percebemos, interagimos e compreendemos o universo.



 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                



 
 
 

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